da Primavera Árabe difundida pelo Twitter no Oriente Médio, em 2011, e das
manifestações brasileiras de junho de 2013 impulsionadas pelo Facebook, chegou a
vez do WhatsApp ocupar o protagonismo na organização de uma mobilização.
A greve dos caminhoneiros, que interditou milhares de trechos de rodovias em todo
o país ao longo de dez dias, é a maior mobilização mundial já feita pelo WhatsApp,
dizem Yasodara Córdova, pesquisadora da Escola de Governo de Harvard, nos
Estados Unidos, que estuda como os governos lidam com a Internet, e Fabrício
Benevenuto, professor de Ciência da Computação da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG), pioneiro na pesquisa de conteúdos compartilhados em
grupos de WhatsApp. "A mobilização ocorre por motivos sociais. As redes dão uma
vazão a esses sentimentos", diz Yasodara.
o país ao longo de dez dias, é a maior mobilização mundial já feita pelo WhatsApp,
dizem Yasodara Córdova, pesquisadora da Escola de Governo de Harvard, nos
Estados Unidos, que estuda como os governos lidam com a Internet, e Fabrício
Benevenuto, professor de Ciência da Computação da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG), pioneiro na pesquisa de conteúdos compartilhados em
grupos de WhatsApp. "A mobilização ocorre por motivos sociais. As redes dão uma
vazão a esses sentimentos", diz Yasodara.
"Na quarta-feira antes da greve, o (preço do) diesel aumentou. Desci para Santos
para levar carga. Quando voltei, o diesel já tinha aumentado. Na sexta, aumentou
de novo. A galera se comunicou no WhatsApp e falou: não está dando mais",
lembra o caminhoneiro Moisés de Oliveira, que ficou parado na Rodovia Régis
Bittencourt, em São Paulo, onde ajudou a organizar um grupo de grevistas, sempre
com o celular à mão.
para levar carga. Quando voltei, o diesel já tinha aumentado. Na sexta, aumentou
de novo. A galera se comunicou no WhatsApp e falou: não está dando mais",
lembra o caminhoneiro Moisés de Oliveira, que ficou parado na Rodovia Régis
Bittencourt, em São Paulo, onde ajudou a organizar um grupo de grevistas, sempre
com o celular à mão.
A essência do trabalho do caminhoneiro é circular. Isso facilitou que as mensagens
se espalhassem rapidamente por diferentes pontos do Brasil. "A gente viaja o Brasil
inteiro e vai conhecendo outros caminhoneiros. Quando chega no posto para
dormir, a gente conversa, troca o (número de) WhatsApp. Aí, quando chegou a
greve, já havia vários grupos montados e a gente distribuiu a informação", diz
Oliveira, de 40 anos, 22 anos deles passados atrás do volante do caminhão.
se espalhassem rapidamente por diferentes pontos do Brasil. "A gente viaja o Brasil
inteiro e vai conhecendo outros caminhoneiros. Quando chega no posto para
dormir, a gente conversa, troca o (número de) WhatsApp. Aí, quando chegou a
greve, já havia vários grupos montados e a gente distribuiu a informação", diz
Oliveira, de 40 anos, 22 anos deles passados atrás do volante do caminhão.
"O Whatsapp facilitou demais a nossa comunicação. Antes, a gente era
desconhecido (um do outro). Agora, o pessoal faz um vídeo e, em dois minutos, já
espalhou pelo Brasil", completa. "A gente não é envolvido com partido político
nenhum. Mas a gente tem a nossa logística".
desconhecido (um do outro). Agora, o pessoal faz um vídeo e, em dois minutos, já
espalhou pelo Brasil", completa. "A gente não é envolvido com partido político
nenhum. Mas a gente tem a nossa logística".
Na última quinta-feira, apesar de já não haver mais pontos de interdição nas
estradas, segundo a Polícia Rodoviária Federal, os apelos pela continuidade da
greve não haviam parado de circular pelo WhatsApp. Eram desde pedidos para
caminhoneiros irem até Brasília, para que ficassem parados em casa, até
convocações de protestos nas cidades.
estradas, segundo a Polícia Rodoviária Federal, os apelos pela continuidade da
greve não haviam parado de circular pelo WhatsApp. Eram desde pedidos para
caminhoneiros irem até Brasília, para que ficassem parados em casa, até
convocações de protestos nas cidades.
Conversas fechadas, criptografadas, sem rastro e em pirâmide
A comunicação por WhatsApp tem características diferentes das feitas por Twitter e
Facebook. Os dois últimos "são como uma via pública, uma praça, onde você abre
uma banquinha e as pessoas podem te ver e interagir com você. Já o grupo de
WhatsApp é como a sala de jantar da sua casa, não entra todo mundo", exemplifica
a pesquisadora brasileira Yasodara Córdova.
Facebook. Os dois últimos "são como uma via pública, uma praça, onde você abre
uma banquinha e as pessoas podem te ver e interagir com você. Já o grupo de
WhatsApp é como a sala de jantar da sua casa, não entra todo mundo", exemplifica
a pesquisadora brasileira Yasodara Córdova.
Na prática, enquanto postagens públicas no Twitter ou Facebook podem ser vistas
por qualquer um e chegar de uma vez só a milhares de usuários, as mensagens de
WhatsApp atingem apenas um indivíduo ou os participantes do grupo, limitados a
um número máximo de 256 pessoas. Dali, podem ser levadas para outras pessoas
ou outros grupos, em uma distribuição em pirâmide.
por qualquer um e chegar de uma vez só a milhares de usuários, as mensagens de
WhatsApp atingem apenas um indivíduo ou os participantes do grupo, limitados a
um número máximo de 256 pessoas. Dali, podem ser levadas para outras pessoas
ou outros grupos, em uma distribuição em pirâmide.
Além disso, todo diálogo é criptografado - é como se a sala de jantar estivesse bem
trancada e só pudesse entrar quem fosse convidado ou tivesse a chave.
trancada e só pudesse entrar quem fosse convidado ou tivesse a chave.
Isso faz com que a conversa fique fechada - para acessá-la, só infiltrado. "A
comunicação no Whatsapp acontece de maneira mais velada, mais escondida. São
grupos relativamente pequenos. E não há registro público, um rastro, porque há
essa encriptação", diz Benevenuto.
comunicação no Whatsapp acontece de maneira mais velada, mais escondida. São
grupos relativamente pequenos. E não há registro público, um rastro, porque há
essa encriptação", diz Benevenuto.
Além disso, a comunicação é mais difusa. A conversa vai se propagando pelos
celulares, sem registro de quem foi a fonte original da informação - seja mensagem
em texto, imagem, áudio ou vídeo. Assim, fica mais difícil identificar quem são as
vozes mais difundidas e que estão se transformando em lideranças.
celulares, sem registro de quem foi a fonte original da informação - seja mensagem
em texto, imagem, áudio ou vídeo. Assim, fica mais difícil identificar quem são as
vozes mais difundidas e que estão se transformando em lideranças.
Essas características fazem com que a mobilização pelo WhatsApp represente um
novo desafio para governos, acostumados a negociar com lideranças de
organizações definidas, com logotipo e CNPJ.
novo desafio para governos, acostumados a negociar com lideranças de
organizações definidas, com logotipo e CNPJ.
"O sindicato é um modelo que está em declínio no mundo todo. Não só em termos
de representatividade, mas também em metodologia. No caso da greve dos
caminhoneiros, há um pioneirismo da organização do trabalho baseado na internet.
É uma espécie de sindicato digital. É possível que no futuro a gente tenha novas
formas de mobilização da força de trabalho como essa", fala Yasodara.
de representatividade, mas também em metodologia. No caso da greve dos
caminhoneiros, há um pioneirismo da organização do trabalho baseado na internet.
É uma espécie de sindicato digital. É possível que no futuro a gente tenha novas
formas de mobilização da força de trabalho como essa", fala Yasodara.
Governo foi driblado pela organização dos caminhoneiros
No quarto dia de greve, uma quinta-feira, o governo do presidente Michel Temer
fechou um acordo com parte dos representantes de associações e sindicatos de
caminhoneiros.
fechou um acordo com parte dos representantes de associações e sindicatos de
caminhoneiros.
Leia a materia completa neste link abaixo.
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2018/06/02/como-o-whatsapp-mobilizou-caminhoneiros-driblou-governo-e-pode-impactar-eleicoes.htm
Fonte: Amanda Rossi - Da BBC Brasil em São Paulo
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