Colíder, da riqueza ao caos

A esperança no fundo do poço

O município de Colíder, localizado no extremo norte de Mato Grosso, a 648 km de Cuiabá, foi Iniciado na década de 70, era de chumbo do Governo Militar. O slogan, “ocupar para não entregar”, uma referência de apoio à ocupação da Amazônia por brasileiros, oriundos de todas as regiões do país, contra uma suposta” invasão gringa”, ao que antes era visto pelos militares como “vazio amazônico;” levou sonhos de novas oportunidades para quem queria extrair da terra, sustento e riqueza.
Feito tantos outros lugarejos do Norte do Estado, a Gleba Cafezal, pertencente ao Município de Chapada do Guimarães, o maior município do mundo, logo cresceu e ganhou status de independente. O novo nome surgiu das iniciais da Colonizadora Líder, empresa que vendia terrenos aos colonos que vinham do Sul do Brasil, a maioria do Oeste do Paraná. CO + LÍDER= COLÍDER, uma junção óbvia que dispensa qualquer estudo semântico.
Na década de 80, os colonos, deixaram de produzir o café, cultivo conhecido por todos no Paraná; passaram a explorar ouro e formar pequenas propriedades com pastagens e gado leiteiro. As novas iniciativas econômicas, firmaram muita gente na região. Alguns conseguiram enriquecer e a maioria manteve-se da agricultura de subsistência e do comércio. Não era preciso muito esforço para se vender qualquer coisa que trouxesse conforto, matasse a fome ou transportasse os guerreiros e guerreiras colidenses.
Nas décadas de 90, e 2000 Colíder parecia não se abalar com as recaídas  do sistema financeiro nacional. Nem o famigerado “Plano Collor” que confiscou a poupança dos brasileiros com a desculpa de estabilidade, conseguiu enfraquecer o município. A coisa ficou boa mesmo, dois frigoríficos absorviam o gado de corte da região, um laticínio comprava o leite produzido nas pequenas propriedades e o curtume processava os couros dos animais abatidos, todas essas empresas, ofereciam emprego à população. O comércio fluía, era forte. Por falar em sorte, em 13/09/2010. Colíder foi agraciado com uma bela reportagem do Jornal Nacional, no quadro “JN NO AR” veiculados pela maior emissora de televisão do Brasil, a Rede Globo.
O repórter Ernesto Paglia, parecia boquiaberto com a pujança do município, visível por toda parte. “Aqui só não trabalha quem não quer” disse um entrevistado. Era verdade, a família Birtche, dona de uma das indústrias frigoríficas na época, apareceu e teve parte de sua história contada, em ritmo de documentário. Era um “Eldorado.”

De repente…

Veio a usina Hidrelétrica Colíder, instalada no Rio Teles Pires, com a proposta de que traria mais bônus do que ônus. Os imóveis de aluguel tinham preços que beiravam o absurdo e todos diziam: “Agora vai.”

E Colíder se perdeu…

A violência aumentou, o delegado Dr Sérgio Ribeiro, chegou.Parecia ser o nosso “Chuck Norris”, uma esperança para exterminar o tráfico, as mortes, os assaltos, mas  quanto mais o destemido delegado trabalhava, mais crimes aconteciam… o “Caso Suzane” em que uma garota de 16 anos, despareceu, após sair para tomar um lanche no centro da cidade e trinta dias depois o esqueleto dela foi encontrado dentro de um morro de calcário. Um suspeito foi preso, mas absolvido por duas vezes por júri popular. E ainda, teve o desabafo de nosso herói, quando prendeu alguns menores com muita droga e armas, mas os viu soltos em seguida… e a juíza não gostou da postura de Sérgio em entrevista coletiva à imprensa, por ter culpado as atitudes dos magistrados e das leis do país… e mais uma vez Colider estava nas manchetes nacionais, mas dessa vez, mostrando o fundo do poço, os resquícios da violência desenfreada e das autoridades impotentes, diante das leis vigentes … De lá para cá, outros casos… menores infratores, exterminados no lixão, Artur executado por dois assaltantes, Olenir Brieves, engenheiro, vítima de latrocínio…

O caos chegou

Em 2012, Nilson Santos, queria “realizar o sonho” de governar o seu pedacinho de chão, a “colidinha do amor”. Deixou de ser deputado, vida mansa, para embocar numa empreitada que não deu conta. Saiu estressado e impopular. Começava o pior pesadelo do povo colidense…
Como em toda situação de caos, surgiram logo, dois “salvadores da pátria” que diziam que a saúde e a segurança, seriam tops, ninguém mais sofreria com os problemas. Os empregos surgiriam e até as pontes rurais, seriam feitas de concreto. Noboru Tomiysohi e Massahiro Ono, dois “ilustres” então candidatos a prefeito e vice-prefeito, pareciam os donos dos “contos de fadas” do povo.O slogan da campanha era:
Noboru sim, Noboru Já!
E “dotô” Ono, da noite para o dia, de semblante fechado e ar de “dono do mundo”, passou a sorrir como um menino no parque de diversões, abraçava a todos, dizia que apesar de ser dono do maior hospital particular da cidade, não deixaria de “zelar” pelo HRCOL ( Hospital Regional).
Ganharam as eleições 2016. Da noite para o dia, tiraram de suas portas, as placas que diziam: “Renasce a Esperança”… através das verbas indenizatórias, aumentaram seus salários em mais de 50%, compraram  celulares Iphone pela bagatela de R$ 9 mil, às custas do dinheiro do povo, e , passaram a “fazer cara de paisagem” para a saúde, educação e a segurança. A folha de pagamentos passou a operar no vermelho, em situação limite… e o povo foi perdendo a esperança…

E a vaca já foi para o brejo

Empresas fechadas, desemprego e insegurança, somam a fila da desesperança local.
E AGORA, QUEM PODERÁ NOS SALVAR?

Assista à reportagem do Jornal Nacional ( Não chore de saudades, por favor)




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